Oito em cada dez CIOs planejam repatriar cargas da nuvem pública, segundo a IDC. O motivo raramente é técnico: é a fatura. Quem paga AWS a partir do Brasil paga em dólar — e a fatura em dólar carrega três custos que não aparecem no anúncio: o câmbio, o IOF e a lista de itens cobrados à parte. Este artigo faz a conta completa, com preço público dos dois lados.
O que a fatura em dólar esconde
- Câmbio: a cotação usada nos cálculos abaixo é R$ 5,15 (agosto/2026). Cada centavo de variação muda a fatura inteira — e o orçamento do ano vira aposta cambial.
- IOF: pagamento internacional de serviços carrega 3,5% de imposto sobre a operação de câmbio, seja no cartão corporativo, seja na remessa.
- Tráfego de saída: na região São Paulo (sa-east-1), cada GB que sai para a internet custa US$ 0,15 depois da franquia de 100 GB/mês. Um site ou API com movimento real paga caro só para responder às requisições.
- IPv4 público: desde 2024 a AWS cobra US$ 0,005/hora por endereço — cerca de US$ 3,65/mês por IP.
- Preço regional: a mesma instância custa ~60% mais em São Paulo do que na Virgínia. O "preço da AWS" divulgado em dólar quase sempre é o americano.
Cenário 1 — servidor de aplicação
Uma carga comum: 2 vCPUs, 8 GB de RAM, 100 GB de SSD, 1 IPv4 e 500 GB de tráfego de saída por mês.
| Item | AWS São Paulo (m5.large) | CloudFarm |
|---|---|---|
| Computação (2 vCPU / 8 GB) | US$ 111,69 | R$ 245,76 |
| Disco SSD 100 GB | US$ 15,20 (gp3) | R$ 91,00 |
| IPv4 público | US$ 3,65 | R$ 26,00 |
| Tráfego de saída 500 GB | US$ 60,00 | incluso |
| Subtotal | US$ 190,54 | — |
| Câmbio R$ 5,15 + IOF 3,5% | R$ 1.015,62 | — |
| Total mensal | R$ 1.015,62 | R$ 362,76 |
Mesma máquina, mesmo papel: 64% de economia — e no ciclo anual do CloudFarm (−15%) a diferença aumenta.
Cenário 2 — aplicação + banco de dados
Um porte acima: 8 vCPUs, 32 GB de RAM, 200 GB NVMe para o banco, 300 GB SSD para a aplicação, 2 IPv4 e 2 TB de tráfego mensal.
| Item | AWS São Paulo (m5.2xlarge) | CloudFarm |
|---|---|---|
| Computação (8 vCPU / 32 GB) | US$ 446,76 | R$ 983,04 |
| Disco 500 GB | US$ 76,00 (gp3) | R$ 873,00 (NVMe + SSD) |
| IPv4 público ×2 | US$ 7,30 | R$ 52,00 |
| Tráfego de saída 2 TB | US$ 292,20 | incluso |
| Subtotal | US$ 822,26 | — |
| Câmbio R$ 5,15 + IOF 3,5% | R$ 4.382,85 | — |
| Total mensal | R$ 4.382,85 | R$ 1.908,04 |
Aqui o tráfego pesa: um terço da fatura AWS é só transferência de dados. No CloudFarm, tráfego não é item de fatura. Resultado: 56% de economia.
"Mas com instância reservada fica mais barato"
Fica — na computação. Um Savings Plan de 1 ano derruba a instância em até ~40%, mas disco, IP e tráfego continuam no preço cheio, e o câmbio com IOF incide sobre tudo. Refazendo o cenário 2 com o desconto máximo: a fatura cai para cerca de R$ 3.400/mês — ainda 1,8× o valor do CloudFarm, agora com fidelidade de 12 meses em dólar. O CloudFarm não tem fidelidade: o desconto de 15% do ciclo anual é opcional.
Quando ficar na AWS faz sentido
Honestidade também é argumento: se a operação depende profundamente de serviços gerenciados proprietários — Lambda, DynamoDB, SQS — ou de presença simultânea em várias regiões do mundo, o custo de reescrever pode superar a economia de anos. A conta deste artigo vale para o caso mais comum do mercado brasileiro: cargas em VM — aplicação, banco, ERP, e-commerce — que rodam igual (ou melhor, com NVMe local) em infraestrutura nacional.
O caminho da migração
O roteiro que usamos com clientes: réplica do ambiente no CloudFarm rodando em paralelo, sincronização dos dados, virada de DNS em janela controlada e os dois ambientes ativos por um período como retaguarda. Cargas em VM migram em dias, não meses. Quem prefere delegar a operação inteira contrata junto a TI Gerenciada — monitoramento 24×7 por uma fração do custo de um plantão interno.
Perguntas frequentes
A comparação vale para quem usa Savings Plan?
Vale, mudando a proporção — o desconto atinge só a computação. No cenário 2, mesmo com −40% na instância, a fatura fica ~1,8× acima do equivalente nacional.
O que está incluso no CloudFarm que a AWS cobra à parte?
Tráfego de saída, anti-DDoS, backup e snapshot — nenhum deles gera linha de fatura.
Quando não vale a pena sair?
Dependência profunda de serviços gerenciados proprietários ou operação multi-região global. Para cargas em VM, a migração costuma ser direta.
Como é a migração na prática?
Réplica em paralelo, sincronização, virada de DNS em janela controlada e retaguarda ativa até a validação final.
Fontes: preços on-demand da AWS para sa-east-1 (São Paulo) em agosto/2026 — m5.large US$ 0,153/h, m5.2xlarge US$ 0,612/h, EBS gp3 US$ 0,152/GB-mês, transferência de saída US$ 0,15/GB; câmbio comercial de 25/08/2026; IOF conforme Decreto 6.306 com alterações vigentes em 2026. Preços CloudFarm: tabela pública da calculadora.
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